Como ajudar uma criança a fazer o seu luto

Teresa era a menina dos olhos do avô. Todos os dias, era ele que a ia buscar à escola e iam para casa, felizes, comiam um gelado pelo caminho e brincavam até os Pais a irem buscar. Ele às vezes chamava-a a atenção quando se portava mal. Contudo, não dispensavam o beijinho e o abraço apertado na hora da despedida!

Um dia, quando a Teresa saiu da escola foi a D. Celeste, a vizinha, que a levou para casa. Ficou a dormir em casa da D. Celeste e ela levou-a à escola no dia seguinte. A professora perguntou-lhe como estava e ela não percebeu, pois não estava doente. No dia seguinte, foi a mãe que a foi buscar. Estava muito triste e abraçou-a com muita força. Perguntou pelo avô e a mãe respondeu: “O avô foi viajar…”.

Passou um ano, todos os dias pergunta pelo avô e continua à espera que ele chegue …

 

As crianças são a maior parte das vezes marginalizadas na sua dor. Os adultos tentam protegê-las contra a enormidade da perda, talvez para se proteger de ter de gerir o impacto da tristeza numa criança, querendo acreditar que as crianças são, muito novas, para perceber o que está a acontecer.

 

Contudo, convém acentuar, que não é a situação em si que é geradora do trauma, mas sim todo o silêncio que por vezes a envolve. Para a criança a morte assemelha-se à sensação de abandono e tentar protege-las dos próprios sentimentos de perda e dos sentimentos dos Pais, sem lhes explicar o que verdadeiramente aconteceu, vão comprovar os seus piores medos.

 

Essencialmente, é importante que as crianças recebam informações diretas e seguras sobre o que aconteceu, porque dizer “o avô foi fazer uma viagem” conduz a que a criança questione insistentemente pelo dia da volta e, à medida que o tempo vai passando, o sentimento de abandono vai-se instalando.

 

A reação dos adultos e o tipo de relação que vão estabelecer com a criança é da máxima importância. O adulto deve estar disponível para responder com a maior honestidade às questões que forem formuladas, para que, também ela, faça o seu processo de luto.

 

A perda de um ente querido pode tornar-se num trauma para as crianças, no entanto, tudo depende do modo como a família lida com a situação.

 

Saiba mais sobre como lidar com o sentimento de perda aqui

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Patrícia Pereira – Psicóloga Clínica

Como reagir ao luto?

Não existe uma expressão universal do luto. Cada pessoa responde à perda de uma forma singular, em função das suas caraterísticas pessoais e do ambiente onde está inserida. É importante que experiencie o luto nos moldes que, para si, fizerem sentido.

 

Deixamos-lhe alguns conselhos que podem ajudar:

  • Aceite os seus sentimentos e respeite o seu momento de dor que, gradualmente, vai cicatrizando;
  • Foque-se nas boas recordações, que lhe trazem serenidade e o ajudam a seguir em frente;
  • Lembre-se de cuidar de si. Pode ser difícil pensar em si neste momento de dor, mas é importante que mantenha uma alimentação equilibrada, faça a sua higiene, dedique tempo a algum passatempo… Cuidar de si não vai eliminar a dor que sente, mas dá-lhe mais forças para continuar;
  • Peça ajuda sempre que precisar. Não se isole, as pessoas que o rodeiam podem ajudar a distrair-se e a ultrapassar este momento;
  • Retome o seu dia-a-dia: gradualmente envolva-se nas suas tarefas, responsabilidades e atividades que antes lhe davam prazer.

 

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Equipa PSIC

Porquê que a consciência corporal no movimento é tão importante?

Ter consciência corporal, é conhecer o nosso corpo, conhecer a nossa condição física e identificar os processos dos nossos movimentos.

Qual a consciência que temos do nosso corpo? Sabemos que acordamos, levantamo-nos, fazemos gestos, ações, tudo através do corpo. Mas por vezes entramos em “piloto automático” e esquecemo-nos que o corpo é a base de tudo. É o meio de transporte para conhecermos o mundo e comunicarmos com ele. Quando a mente se incorpora e dá-se o equilíbrio absoluto do ser. Ao deter a consciência corporal, melhoramos a nossa condição física e as nossas habilidades. Conhecendo os limites do nosso corpo, evitamos algumas doenças.

No movimento terapêutico da dança, o trabalho inicial deve ser realizado através do sentir o chão, elemento terra. Esta é a nossa base, para dar ao movimento bons alicerces e integrar a consciência corporal. Tudo se inicia com o piso em que trabalhamos o movimento. Aprimoramos as habilidades motoras, desenvolvemos a perceção e consciência corporal e abrimos a mente para as várias possibilidades de movimentos, na dança terapêutica. Esta tomada de consciência pode ser ampliada, com exercícios específicos. Na dançaterapia, como em qualquer outro tipo de dança, é fundamental a entrega, para a integração corporal e mental, dando uma sensação de bem-estar.

“na educação corporal, a relação toma uma dimensão mais importante ainda através do conhecimento de si mesmo, do outro e da adaptação ao mundo dos outros”
(Desobeau, 1982)

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Saiba mais sobre a terapia da dança aqui.

Ana Macedo – Psicóloga Clínica

Hipnose reduz consequências da diabetes tipo 1

Através da hipnose, é possível aceder à raiz emocional que acompanha muitas doenças, nomeadamente, a diabetes. Independentemente da predisposição genética, a diabetes também pode estar relacionada com:

  • Problemas familiares – divórcio, separação, perda, luto
  • Frustrações afetivas – desgosto amoroso, rejeição
  • Dificuldade em expressar e receber afeto
  • Problemas profissionais
  • Stress

 

Ao longo da minha prática clínica tenho constatado que ao potenciar os recursos naturais do organismo para a saúde, bem como ao limpar a carga emocional decorrente da diabetes (e.g., tristeza, melancolia, baixa autoestima, depressão) é possível a estabilização emocional e a aceitação da doença.

 

Além disso, a investigação científica recente da Universidade de Aveiro tem demostrado que a hipnose pode ajudar a reduzir os níveis de glicose no sangue e a diminuir a dose diária de insulina que estes doentes necessitam de administrar. Se quiser saber mais consulte o artigo da SIC Notícias Estudo científico conclui que hipnose reduz consequências da diabetes tipo 1

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Jatir Schmitt – Psicóloga Clínica e Hipnoterapeuta

 

“Tenho carregado o peso da perda este tempo todo” – perder a mãe na adolescência

Sofia tem 30 anos e perdeu a mãe aos 16 anos, devido a morte súbita. Foi um episódio muito doloroso, a Sofia era muito ligada à mãe e, como adolescente, sentia várias vezes que não era compreendida por esta e entravam em conflito. Conta que durante alguns anos tentou “seguir com a vida em frente”, assumindo várias tarefas e responsabilidades familiares. Costumava pensar frequentemente na mãe e chorava nesses momentos, mas rapidamente dizia a si própria “tenho de ser forte, a minha família precisa de mim” e não se permitia vivenciar a tristeza e saudade durante muito tempo, recusando falar sobre o assunto com outras pessoas.

Mais tarde, depois de ter concluído o curso, estar estável na sua vida profissional e pessoal e a família ter recuperado da perda, Sofia começou a sentir-se muito em baixo, irritava-se com facilidade, dormia mal e não conseguia encontrar causa aparente para isso. Após falar sobre a história da mãe, Sofia começou a chorar compulsivamente e percebeu que tem “carregado o peso da perda da mãe este tempo todo”. Percebeu ainda que sentia alguma raiva por a mãe ter falecido tão repentinamente e tê-la deixado sozinha, assim como culpa, uma vez que sentia que nunca fazia o suficiente pela restante família.

A Sofia decidiu procurar ajuda profissional e após serem utilizadas terapias cognitivas e comportamentais conjugadas com sessões de hipnoterapia, conta que conseguiu perdoar a mãe e recuperar as memórias positivas que a ajudaram a reconstruir a sua história e o papel da mãe na sua vida. Sente-se “mais leve”, em paz consigo mesma e sorri ao pensar na mãe. Refere ainda que aprendeu que “é muito importante respeitar e não fugir dos sentimentos”.

A história da Sofia mostra como o luto é um processo que deve ser vivido e respeitado e reflete a individualidade de cada um neste caminho. Se perdeu alguém importante para si, saiba que é possível ultrapassar este momento de tristeza e viver sereno com a herança que essa pessoa lhe deixou.

Veja também “Como reagir ao luto?

 

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Carla Santos – Psicóloga Clínica

Vivenciar a perda

Muitas vezes, o luto é encarado como a perda de alguém que amamos devido à sua morte. Contudo, o luto pode estender-se a outras perdas:

  • Divórcio
  • Afastamento de amigos ou familiares
  • Animais de estimação
  • Bens materiais
  • Emprego

O sofrimento e a dor são respostas instintivas à perda que devem ser vivenciadas respeitando o ritmo de cada um. Este processo é muito particular, dependendo de cada pessoa e tipo de perda.

Cada um precisa de um tempo próprio para se ajustar a esta nova realidade e refazer a representação que alguém ou algo tinham e têm na sua vida. Este tempo não implica um esquecimento, mas sim a construção de uma nova relação com a memória dessa pessoa, situação ou objeto.

É legítimo que se sinta triste, com raiva, angustiado, culpado, frustrado, que chore e tenha vontade de desistir. Permita-se vivenciar este sofrimento que é necessário para se libertar e continuar a viver.

 

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Jatir Schmitt – Psicóloga Clínica

 

Como lidar com o aborto espontâneo

aborto

As causas do aborto espontâneo podem ser variadas mas o fator comum é o grande sofrimento que provoca no casal. O sentimento de choque, culpa e perda são frequentes. O medo apodera-se do casal e surgem muitas dúvidas sobre o que fazer a seguir. Saiba como lidar com este evento doloroso:

  • Não se culpe – pare de reviver todos os momentos da gravidez à procura de algo que tenha feito de errado e compreenda que esta situação estava fora do seu controlo.
  • Aceite a perda – há um processo de luto que precisa de ser vivido e respeitado. É necessário elaborar a perda dos planos e expetativas para o filho que tinha idealizado.
  • Partilhe a sua dor – converse com o seu companheiro, familiares e amigos sobre a situação difícil pela qual está a passar. Aceitar a perda e falar sobre ela pode ajudar a sair do sofrimento e retomar a sua vida.
  • Passe tempo a dois – umas férias românticas, uns dias junto da natureza ou simplesmente dedicar umas horas por dia à relação.
  • Converse com um profissional – procure saber com o seu médico quando é seguro voltar a planear engravidar

 

Lembre-se que o aborto espontâneo é comum e que isso não significa que não pode ter um bebé saudável em breve. A ajuda psicológica pode ser importante para que volte a sentir-se bem, recupere a esperança e se sinta preparada para receber uma nova gravidez.

 

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Jatir Schmitt – Psicóloga Clínica

Reprodução medicamente assistida – o papel do psicólogo

reproducao

O equilíbrio emocional é um fator decisivo para o sucesso dos tratamentos. O papel do psicólogo antes, durante e depois deste processo é fundamental:

  • Auxília no processo de aceitação e tomada de decisão sobre alternativas;
  • Explora todas as implicações médicas e psicossociais;
  • Oferece um espaço de escuta e apoio – facilita a expressão de emoções e abre uma alternativa para o casal tratar os conflitos inerentes à infertilidade;
  • Trabalha na resolução da perda e luto da capacidade física de reprodução natural;
  • Minimiza o impacto do stresse e ansiedade – através de relaxamentos e meditação;
  • Ajuda a gerir as dificuldades de comunicação com o meio envolvente e reintegração com a família, amigos e relações de trabalho;
  • Medeia a comunicação com a equipa médica: um casal angustiado e ansioso tem maior dificuldade em assimilar as informações que lhe são transmitidas;
  • Orienta e trabalha a relação do casal – promoção da comunicação e investimento no afeto e na vida sexual;
  • Auxilia a preparação do organismo para a conceção – resolução de traumas prévios, fobias ou medos;
  • Ajuda na recuperação da autoestima e autoconfiança;
  • Trabalha o ajustamento à parentalidade.

 

A reprodução medicamente assistida é um processo, muitas vezes, doloroso mas de esperança. O “fim” pode ser um novo começo.

 

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Jatir Schmitt – Psicóloga Clínica

GULA

ESCOLHIDO_gula2

 És tu dos sete o mais delicioso

Pervertida tentação exageras no querer

Culpada pedes mais

Ignoras o perigo

Transgrides

Presença frondosa

Sinuosas curvas apertadas

Possantes combatem deslizes

Expurgam excessos

Tormento no gozo glutão

Desespero

Abocanhas o que falta aos outros

Esquiva-se do alheio faminto

Estúpida no prazer

És a boca do mundo

Exuberância

Enfartada expurgas o excesso

Na réplica vandalizas o corpo

Empanturras sem culpa a morada divina

Flagelo

Prioriza os sentidos

Alicia escravos glutões

Entregues ao proibido desfrutam

Alheios à sua presença

Sucumbem!

Jatir Schmitt