Quando as emoções adoecem o corpo – Parte 1

post_doenca1Cada emoção que sentimos prepara o nosso corpo para uma reação específica. O fato de experienciarmos emoções desagradáveis não significa ausência de saúde mental ou que algo de errado se passa connosco. Nunca é demais reforçar que não há emoções positivas ou negativas, todas têm um papel fundamental na nossa adaptação. O que prejudica o nosso funcionamento é o excesso emocional. As emoções têm uma manifestação corporal intensa, a energia da emoção espalha-se pelo corpo e produz diversos movimentos. Estas sensações físicas e sinais corporais são coerentes com o que estamos a sentir e é através deles que podemos identificar qual a emoção que sentimos.

Quando sentimos raiva, a força corporal aumenta para criar movimentos de ataque ou defesa. Manifesta-se essencialmente na parte superior do corpo, na cabeça, braços, mãos e peito. A temperatura corporal aumenta, cerramos os punhos e os dentes e encolhemos os ombros como se fôssemos dar um soco a alguém. O nosso corpo diz-nos que está pronto para atacar perante uma situação que interpretamos como injusta, pois a função da raiva é mesmo gerar energia para superar obstáculos.

O medo é a emoção que sinaliza a existência de perigo. O coração começa a bater mais depressa, a respiração acelera, os músculos contraem, as mãos e pernas tremem, esbugalhamos os olhos para olhar para todos os lados, numa postura vigilante. Corporalmente, o medo prepara-nos para fugir ou lutar em situações de perigo.

Na tristeza, há como que uma sensação de frio que nos invade. Este “arrefecimento” implica uma falta de mobilização que se traduz na perda de interesse nas atividades quando estamos tristes, para nos recolhermos. Adotamos uma postura cabisbaixa, fechamos o peito, olhamos para baixo. Precisamos desse tempo para recuperar energia e avaliar as consequências de uma perda, para depois nos redirecionarmos para outras emoções e ações.

A inveja é uma emoção instintiva e natural. Surge da comparação com o outro, quando o indivíduo se sente inferiorizado nessa comparação. A função da inveja, quando encarada de forma saudável, é levar-nos a tentar sempre mais até sermos bem-sucedidos, como se fosse um impulso para melhorar. O sentido crítico e a admiração por algo que ainda não temos pode constituir uma oportunidade para avançar. Corporalmente, esta emoção manifesta-se através de olhar demorado, de lado.

É no nosso corpo que residem as emoções e ele é o nosso maior aliado, quando prestamos atenção aos seus sinais.

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