Gestão das Emoções

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Vivemos numa sociedade cada vez mais global onde a competitividade, a informação e a novidade atingem o seu nível máximo a cada milésimo de segundo. Para acompanhar este ritmo revestimo-nos de uma pele que muitas vezes não é a nossa, mas que nos dá uma sensação de conforto. Será essa pele verdadeira? Estudos realizados sobre o consumo de substâncias psicoativas ajuda-nos a responder a esta questão.

Em França, em cada sete pessoas, há um consumo de tranquilizantes ou antidepressivos, sendo 40% superior aos EUA, que é líder no consumo de anti-inflamatórios, porém, quase 9 milhões de soníferos são tomados a cada noite pelos franceses. Verifica-se que 56% da população francesa sofre habitualmente de angústia e 6 milhões vive em depressão. Assim sendo, conferimos que o stress é um fator de risco comparativamente ao tabaco. Segundo alguns estudos 50 a 70% das consultas marcadas são derivadas ao stress. Todavia, sabe-se que o consumo de álcool e tabaco é uma outra maneira de compensar os problemas ligados à depressão, ansiedade e stress. Estudos indicam que 5 milhões de pessoas são dependentes do álcool, que provoca por ano 50 000 mortes, e metade dos 18 milhões são fumadores ativos e sofrem de distúrbios graves ligados ao tabagismo, havendo 700 000 mortes todos os anos.

Em Portugal, num estudo realizado pela INFARMED entre 2000 e 2012, observou-se um aumento no consumo de psicofármacos em todos os grupos, sendo mais relevante nos antidepressivos (+240%) e antipsicóticos (+141%). Porém na utilização de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos, obteve-se um aumento menos significativo (+6%).

De acordo com o Programa Nacional para a Saúde Mental, realizado em 2013, Portugal apresenta uma elevada prevalência de doenças mentais, ficando em destaque a depressão major. Numa outra análise observou-se que os medicamentos que atuam no Sistema Nervoso Central (SNC) constituem um dos grupos terapêuticos com grande peso no consumo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em ambulatório e com uma tendência global de crescimento. Foi revelado o peso dos psicofármacos, nomeadamente os antipsicóticos e antidepressivos.

O consumo de psicofármacos é essencial numa primeira fase em alguns casos, para estabilizar o organismo, mas assistimos ao uso indiscriminado destas substâncias, como se fossem a panaceia para todos os males e que em vez de compreender as emoções, as anestesiam e nos fazem andar em incessantes círculos que nos corroem.

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