Pânico

Ataque-de-pâncio

Pessoas que sofrem de qualquer perturbação de ansiedade acreditam que algo de errado se passa com elas.

Também acredita nisso?

Saiba que este é um pensamento errado. Perceber que a ansiedade e o medo são respostas naturais do nosso corpo perante uma ameaça é o primeiro passo para desconstruir esta crença.

Umas das estruturas principais no processamento dos sinais de perigo é a amígdala. Ao experienciarmos algum acontecimento desagradável, a memória desse acontecimento fica gravada nessa estrutura, e sempre que se deparar com uma situação semelhante vai ativar-se a resposta de medo. A função da amígdala é reagir perante possíveis sinais de perigo, o que provoca uma resposta rápida, exagerada e automática, sem interferência do pensamento consciente. Contudo, situações e objetos irrelevantes podem tornar-se ameaçadores devido a uma associação de significados, e passam a ser conotados pela mente inconsciente como ameaça à existência.

Este mecanismo remonta aos primórdios da Humanidade onde eramos a presa ou o predador. O perigo era real e o corpo reagia com luta – fuga. Havia uma descarga de adrenalina que dava condições ao corpo de responder com a força necessária à sua sobrevivência.

Nos tempos atuais não há nenhuma preparação para os perigos psicológicos que enfrentamos, ao mesmo tempo também não acontece a descarga física. A adrenalina fica no corpo e intoxica o organismo. Não necessitar de promover uma ação torna o organismo disfuncional e não distingue um perigo real de um imaginário. Então, mediante qualquer estímulo, por mais insignificante e irrelevante que possa parecer vai provocar um alerta permanente no sistema de defesa do organismo, e até uma brisa pode ser interpretado como uma tempestade.

Um ataque de pânico é caracterizado por um medo que surge repentinamente e sem nenhuma razão aparente, englobando quatro ou mais dos seguintes sintomas:

  • Dificuldades em respirar ou sensação de sufoco;
  • Vertigens ou sensação de instabilidade;
  • Palpitações ou batimentos muito acelerados do coração (taquicardia);
  • Estremecimento ou tremores;
  • Sensação de formigueiro (parestesia);
  • Calafrios ou afrontamentos;
  • Dores no peito;
  • Medo intenso de estar gravemente doente ou a morrer;
  • Medo de enlouquecer ou fazer algo descontrolado;
  • Transpiração abundante;
  • Náuseas ou mal-estar abdominal;
  • Sensação de irrealidade (despersonalização ou desrealização).

O ataque de pânico inicial que surgiu sem nenhuma razão aparente, mas normalmente desenvolve-se a partir de uma combinação de fatores. Podemos apontar cinco fatores: hipersensibilidade corporal: tendência para reações corporais exageradas e para responder mais intensamente aos estímulos ambientais, como por exemplo as mudanças de temperatura; vivência de acontecimentos indutores de stress: antes do ataque de pânico a pessoa não atenta nos sinais de stress e depois do primeiro a pessoa fica auto vigilante à espera dos sintomas; hiperventilação: respirar mais rápida e superficial, o que pode provocar sintomas característicos da ansiedade; condições médicas: problemas cardiovasculares, asma, ataques de epilepsia, diabetes, hipotiroidismo e problemas do ouvido interno podem provocar sintomas semelhantes aos da ansiedade. Por este motivo, é importante que comece por fazer um despiste. Alguns medicamentos podem provocar efeitos que se assemelham aos sintomas de ansiedade. São exemplos os estimulantes, complementos tiróideos, medicamentos com substâncias inativas, tranquilizantes e sedativos, esteróides, alguns medicamentos para a pressão sanguínea e alguns antidepressivos. Algumas pessoas podem ainda experimentar os sintomas quando ingerem cafeína, álcool ou outras drogas recreativas; experiências vivenciadas na infância que contribuem para a formação dos traços de personalidade associados à ansiedade. Podemos mencionar a toxicodependência ou alcoolismo no seio familiar; existência de abuso físico, sexual, emocional ou psicológico; modelo parental ansioso; figura parental crítica; regras familiares rígidas e sistema de crenças rígido; sobrevalorização das aparências e comportamento “correto”; pais sobre protetores; inversão de papéis pais/filho e ansiedade de separação e adaptação.

Agora que deu o primeiro passo e adquiriu algum conhecimento acerca do que pode estar na origem e contribuir para o desenvolvimento dos seus sintomas de ansiedade, o próximo passo pode ser procurar ajuda. É importante que elimine todas as possíveis causas médicas para os seus sintomas procurando um médico. Considerar a psicoterapia pode ser uma ajuda fundamental para que possa adquirir as ferramentas necessárias para aprender a lidar com a sua ansiedade.

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