Dois dedos de conversa: SIGA MAGRO

conversaSabe porque é que é difícil manter o peso?

Desde os primórdios que o Homem criou mecanismos de defesa adaptados para sobreviver a longos períodos de escassez alimentar, que tiveram um impacto importante no modo como comemos. Procuravam por alimentos altamente calóricos ingerindo a maior quantidade possível. Assim surgiram os primeiros mecanismos de saciação. Aqueles cujo mecanismo de saciação demorava mais para ser ativado estavam em vantagem, permitindo que ingerissem uma maior quantidade de calorias e assim armazenassem recursos para o próximo período de escassez. Os homens e mulheres que tinham este mecanismo acabavam por não sobreviver, por isso somos descendentes dos primeiros e o nosso centro de saciação não é ativado assim que ingerimos a última caloria necessária.

Houve épocas em que o ideal de beleza consistia na imagem da mulher “gordinha”, que era considerado sinónimo de saúde e fertilidade. Assim surgiu o mito da criança gordinha como saudável, bonita e bem cuidada. Esta era uma condição necessária para que a mãe fosse vista como competente nos cuidados aos filhos. Por outro lado, crianças que cresceram no seio de famílias em condições sociais mais desfavoráveis, ou que chegaram mesmo a passar fome, são incentivadas a comer em demasia com o receio inconsciente da escassez alimentar.

Atualmente, na nossa sociedade os períodos de escassez são cada vez mais raros e comemos não só para sobrevivermos, mas também por prazer e em contextos sociais como uma forma de promover essa mesma interação. De facto, os alimentos são associados às emoções, a comida é utilizada em rituais festivos, como o Natal, Páscoa e casamentos, estando presente em vários momentos, mesmo fora das refeições. Esta associação dá-se já nas primeiras fases do desenvolvimento. Quando o bebé chora por algum desconforto, a mãe enquanto não consegue reconhecer a origem desse desconforto, recorre à amamentação para o acalmar. Assim, o bebé aprende que pode aliviar os seus conflitos através da boca. Enquanto adultos, continuamos a recorrer muitas vezes ao ato de comer para tranquilizar a ansiedade, angústia e saciar as necessidades internas.

Muitas pessoas utilizam este mecanismo em excesso, podendo contribuir para um grande aumento de peso, que prejudica a sua saúde física e emocional. Assim deveremos ter em conta que a obesidade envolve múltiplos fatores, tais como, a idade, condição socioeconómica, cultural, nutricional e ambiente familiar, estilo de vida caraterizado pelo sedentarismo, maus hábitos alimentares. Os próprios media têm um papel fundamental na propaganda da comida e do comer em excesso, publicitando estímulos que podem ser prejudiciais. Somos bombardeados com imagens de alimentos altamente calóricos apelando ao seu consumo, de tal modo que é como se fizessem parte da nossa vida. Este tipo de alimentos está monetariamente acessível à maior parte das famílias, que hoje os incluem na sua dieta diária.

As pessoas que sofrem de obesidade, podem ter uma baixa autoestima, sentimentos de frustração, tendência para procurar soluções mágicas e rápidas para as suas dificuldades, impulso para satisfazer de imediato os seus desejos, negação ou deformação da autoimagem, propensão para a transgressão e mentira acerca do que comem. Estes fatores contribuem para o ciclo de manutenção da própria obesidade, pois lidam com os sentimentos através da comida, afetando o próprio corpo.

Os tratamentos usados para a obesidade mórbida são invasivos e implicam riscos. Os tratamentos nutricionais para a redução de peso não abordam os motivos emocionais associados ao excesso de peso, não tratando os condicionamentos comportamentais ou de estrutura, responsáveis pela recuperação do peso.

A abordagem hipnoterapêutica para a redução do peso recorre a uma mudança dos padrões emocionais e comportamentais – sem dor nem sofrimento – que culminam na alteração dos hábitos alimentares disfuncionais.

Como já vimos, o mecanismo de saciação está relacionado com as estruturas cerebrais responsáveis pelas sensações desagradáveis associadas à fome, tornando-se difícil seguir um plano alimentar saudável. A ativação deste mecanismo aciona o instinto de sobrevivência quando perceciona a falta de comida, o que leva as pessoas a reagir de modo primitivo perante essa privação – tipo efeito, “síndrome de abstinência alimentar”.

O trabalho através da hipnose permite que a mente compreenda que não está sob uma ameaça à sua sobrevivência e saiba distinguir um período de verdadeira necessidade alimentar.

Deste modo, não é considerada uma dieta, por isso não entra em conflito com outra dieta ou plano alimentar que a pessoa esteja a seguir. É uma abordagem complementar e ajuda a pessoa a alcançar o peso desejado e a mantê-lo. Diminui o desejo de comer e auxilia numa reeducação alimentar eficaz, que contribui para uma relação saudável e equilibrada com a comida.

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