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Atravessando o Rio

Em Abril, deixamos-lhe o conto “Atravessando o Rio”. A mensagem implícita passa pela constante preocupação que o ser humano tem sobre “o que os outros irão pensar”. Por vezes, esta preocupação leva-nos a agir incorretamente, e isso incomoda-nos. De tal forma, que carregamos aquele assunto/atitude permanentemente na nossa cabeça. Faz-nos sentir culpados ou com medo. Assim, “Atravessando o Rio”, mostra-nos que a melhor forma de agir, é sem julgamentos e da forma mais verdadeira para si.

Atravessando o Rio

Dois monges viajavam juntos por um caminho cheio de lama. Chovia torrencialmente o que dificultava a caminhada. A certa altura tinham que atravessar um rio, cuja água lhes dava pela cintura. Na margem encontrava-se uma rapariga que parecia não saber o que fazer:
– Quero atravessar para o outro lado da margem, mas tenho medo! – disse a rapariga.
Então o monge mais novo carregou a rapariga às suas cavalitas para a outra margem. Horas depois, o monge mais velho não se conteve e perguntou:
– Nós, monges, não nos devemos aproximar das mulheres, especialmente se forem jovens e atraentes. É perigoso. Por que fez aquilo?
O monge mais novo respondeu:
– Eu deixei a rapariga lá. Tu ainda a estás a carregar!

(Adaptado dos contos Budistas recontados por
Sherab Chödzin e Alexandra Kohn
– trad. Monica Stahel –
Martins Fontes, São Paulo, 2003).

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