Fugir da morte…

Certa noite, um imperador de Damasco teve um sonho. Sonhou que estava parado ao lado do seu cavalo, por baixo de uma árvore. Por trás dele surgiu uma sombra negra que lhe pôs a mão no ombro. Quando ele se virou para olhar em volta assustou-se. A sombra disse:

– “Eu sou a Morte, e amanhã venho buscar-te, portanto, prepara-te e assegura-te de que chegas ao local escolhido.”

Ele acordou. O sonho acabou, no entanto ficou com medo. Quando amanheceu, chamou os maiores e mais famosos astrólogos do reino. Chamou eruditos de renome, com o dom de interpretar sonhos e perguntou-lhes o que significava este sonho.

Não havia muito tempo. O imperador só tinha aquele dia, porque a Morte chegaria ao final do dia, ao pôr-do-sol.

Os astrólogos disseram: «Não há tempo para pensar. Escolha o cavalo mais veloz que tiver e cavalgue para o mais longe possível. Quanto mais se afastar, melhor.» Não havia outra alternativa. O que mais poder-lhe-ia ocorrer? Era a única solução: deveria ir para o mais longe possível daquele palácio, daquela cidade. Tinha de fugir para se salvar da Morte.

O imperador pediu um dos seus cavalos mais velozes, montou-o e começou a galopar. O cavalo galopava a alta velocidade e, ao ver a rapidez com que seguia, o imperador começava a sentir-se mais tranquilo. Desta forma, ganhou confiança: chegaria o mais longe possível e ficaria a salvo. Muito lentamente, a cidade começava a ficar distante. As vilas e aldeias também. O cavalo continuava a galopar com o mesmo ritmo apressado. O imperador não parou para descansar. Não comeu nem bebeu água. Quem é que pararia? Quem é que comeria alguma coisa ou beberia, se estivesse a ser perseguido pela Morte? Também não deixou que o cavalo fizesse uma pausa; nem sequer lhe arranjou água para beber. Para ele, era essencial cavalgar com aquela velocidade, para o mais longe possível.
Chegou a tarde. O imperador já estava muito afastado do seu palácio e estava extremamente contente. Até à tarde, sentia-se triste, mas à tardinha já começava a trautear canções. Tinha a sensação de que já tinha chegado longe o suficiente. Quando chegou o final da tarde, já se encontrava a centenas de quilómetros.

No instante em que o sol se punha, entrou num pomar de maçãs, amarrou o cavalo e deixou-se ficar debaixo de uma árvore. Estava verdadeiramente descontraído. Estava prestes a expressar a sua gratidão por ter chegado tão longe, quando a mesma mão que tinha visto na noite anterior, no seu sonho, lhe tocou no ombro. Ficou assustado. Virou-se com cautela, e viu a mesma sombra negra ali parada. A sombra negra disse-lhe:

– «Estava com muito medo de que não conseguisses chegar aqui, tão longe, pois é este o sítio no qual estás destinado a morrer. Perguntava-me como seria possível que percorresses uma distância tão longa. Mas o teu cavalo foi muito veloz e tu cavalgaste muito. Chegaste à hora certa.»

(adaptado de Osho. Uma mente independente. Pergaminho, 2017)

Por mais que fujas cumprirás com o teu destino. A morte tem uma sabedoria diferente e apresenta-se como um processo inevitável e natural na vida do ser humano. Ensina-nos que todos temos uma semelhança – a fragilidade da vida. Identificamo-la como uma etapa final ao mesmo tempo que nos convencemos de que somos eternos, passando assim a vida a fugir da morte.

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Jatir Schmitt- Psicóloga Clínica

Feliz Dia da Mãe

O que dizemos sobre as nossas mães? E o que pensam as nossas mães de si próprias?
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De Quem é o Presente?

Perto de Tóquio vivia um grande samurai idoso que agora se dedicava a ensinar os mais jovens. Apesar da sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro conhecido pela sua total falta de escrúpulos apareceu. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que o seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta.  Conhecendo a reputação do samurai mais velho, estava ali para derrotá-lo, e aumentar a sua fama.

Todos os estudantes se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras na sua direção, cuspiu no seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive os seus ancestrais.  Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.  No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.

Desapontados pelo facto do mestre aceitar tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram:
– “Como é que o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou a sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de se mostrar cobarde diante de todos nós?”
O velho mestre respondeu:
– “Se alguém chega até vocês com um presente, e vocês não o aceitam, a quem pertence o presente?
– “A quem tentou entregá-lo.” – respondeu um dos discípulos.
– “O mesmo vale para a inveja, a raiva, o desrespeito e os insultos” – disse o mestre – “Quando não são aceites, continuam a pertencer a quem os carregava consigo.”

A paz interior depende exclusivamente de cada um. As pessoas não vos podem tirar a calma, a serenidade e o vosso bem-estar a não ser que vocês o permitam.

Autor Desconhecido