Eu era obsessiva em querer ajudar os outros – os outros estavam sempre em primeiro lugar

“Quando iniciei o meu tratamento achava que não ia conseguir chegar ao fim porque tinha que me desligar do mundo lá fora, quero dizer, do que nos vamos habituando a viver na rotina. Tinha que deixar de pensar no trabalho, família, entre outras coisas que fazem parte da rotina diária. Então ao segundo dia no final das consultas o meu pensamento já era outro. Comecei a valorizar o fato de estar a dar tempo só e apenas a mim, já comecei a fazer contas que a semana já ia a meio e se os meus tratamentos seriam 10 encontros e já ia no terceiro e se na semana seguinte já seria apenas 3 e não 5 como na semana anterior. Muito sinceramente, eu achava que se tive sempre uma atitude à minha maneira de idealizar e prestar ajuda aos outros, não seria com 10 sessões que as coisas iriam mudar muito. O mais provável seria que não interferisse muito na minha pessoa, a ajuda que a Dra Jatir me podia dar. Mas, estava completamente errada, sim ajudou-me mais do que as minhas expetativas, foi muito gratificante, maravilhoso, eu me encontrei, me conheci melhor, até me dececionei comigo mesma, sempre tive uma obsessão e não sabia que era obsessiva. Eu era obsessiva em querer ajudar o outro, o outro estava sempre em primeiro lugar. A felicidade do outro é que era importante para mim, nomeadamente o fato de eu querer tanto que o outro fosse feliz e eu é que queria mudar o outro. Ora, se o outro não quer ajuda, como posso ajudá-lo? Isto e muitas coisas mais que eu percebi, como pessoas na minha família que não são felizes e eu achava que era culpada porque eu ando sempre feliz e elas não. Então acabava por não ser feliz na totalidade porque não conseguia pôr os outros felizes. Agora eu ajudo de forma diferente, penso que não tenho culpa de os outros não serem felizes, educo de forma a serem autónomos, tenho atitudes de fazer com que todos na minha família se preocupem e lutem pelo lar, pela família, pela harmonia. Não posso ser demasiado tolerante, porque isso faz com que nos vamos desinteressar casa vez mais pelos problemas até que eles vão aumentando e não se resolvem. Pus em prática as minhas ideologias sem pensar que vou pôr o outro em confronto comigo, ser tolerante, mas não em demasia. Foi muito bom eu me conhecer, saber que sou capaz de mudar, não carregar as culpas e dores dos outros, não deixar que me usem e abusem. Sinto-me mais feliz e sei que as minhas mudanças vão contribuir para uma melhor união da família, a nível profissional e até com os amigos. Encontrei-me e estou feliz por me ter dado esta oportunidade. Aconselho que devemos lutar pelos nossos objetivos e quando acharmos que não somos capazes, procurar ajuda junto de quem nos pode ajudar. Muito obrigada mesmo. Foi muito bom…”

M.L.