“Era muito obcecado com o trabalho”

“A esposa sugeriu-me que fosse ao psicólogo. – “Porque isto não está bem”. Já ao acordar, sentia uma revolta dentro de mim, fosse o que fosse, na relação com as pessoas. Sentia, mas não tinha consciente total de que estava irritado, chateado, nervoso e agitado também. Mentalmente estabilizei muito. Manter sempre isto, era o ideal. Acima de tudo consegui aperceber-me das coisas com as pessoas que me relacionava e por as coisas no sítio como eu quero e acho que deve ser. Voltei à prática física. Sinto-me muito relaxado à noite. Outras mudanças foram por causa do próprio tratamento, o facto de sair e ficar a beber até às tantas. Ajudou a não ser tao agitado e buscar um buraquinho que era o álcool. No trabalho se tivesse um cliente na cabeça com
oportunidade de negócio vivia aquilo e não descansava se não alcançasse o objetivo. Nesta etapa do tratamento, em um espaço de um mês não contava que mudava tanto. Era muito obcecado com o trabalho e se me ligasse ao sábado ou domingo, eu não ia de manha ou tarde. Hoje isto ta fora de questão, me organizo com os vendedores, nos fins-de-semana evito trabalhar, porque no trabalho é durante a semana. Estou dizendo não. Não conseguia dizer não a ninguém, porque achava que só eu era capaz de fazer aquilo. Vivia para a empresa como se fosse um problema unicamente meu, e não é. Não dá para tratar de tudo sozinho por muita vontade que eu queria. Eu e a minha esposa, pela primeira em muito tempo, saímos sozinho, falei com ela para ver o que vamos fazer no futuro, teve uma parte mais positiva, ela pode falar das minhas saídas e eu poder acertar agulhas, sobre o estilo de vida dela. Pus os pontos nos “is”.”

André (nome fictício)