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Lenda da Águia e do Falcão

O CONTO DO MÊS

Em 2018, oferecemos-lhe, todos os meses, um pequeno conto. Cada conto contém uma mensagem implícita sobre a qual deverá refletir. Esperamos que este desafio que a PSIC – Psicologia Integrada lhe lança proporcione bem-estar e uma maior qualidade de vida.

Lenda da Águia e do Falcão

Conta uma velha lenda dos índios que, uma vez, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros e a mais formosa mulher da tribo, chegaram de mãos dadas à tenda do velho feiticeiro da tribo.

– Nós amamo-nos e vamos casar-nos – disse o jovem.

– E amamo-nos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã… alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos… que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?

O velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:

– Há uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e espinhosa… Tu, linda jovem, deves escalar o monte ao norte desta aldeia e, apenas com uma rede e as tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte e trazê-lo a mim com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.

– E tu, jovem valente – continuou o feiticeiro – deves escalar a montanha do trono e, lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!

Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada. No dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com a águia e o falcão dentro de um saco. O velho pediu que, com cuidado, tirassem as aves dos sacos e viu que eram verdadeiramente formosas aves.

– E agora o que faremos? – perguntou o jovem – Matamos as aves e depois bebemos a honra do seu sangue?

– Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? – propôs a jovem.

– Não! – disse o feiticeiro – Apanhem as aves e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro. Quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres…

O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros. A águia e o falcão tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade de voar, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se magoarem.

E o velho disse:

– Jamais esqueçam o que estão a ver … este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão: se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, mais cedo ou mais tarde, começarão a magoar-se um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos mas jamais amarrados.

Autor Desconhecido

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