Há medos que escondem, por baixo, outros medos, mais antigos e mais profundos.
Talvez já tenha sentido isto: um receio concreto, ligado a uma situação específica, que parece resolver-se, e dá lugar a outro, inesperado, que estava escondido atrás dele. Como se cada camada trabalhada abrisse espaço para a seguinte, e a seguinte, até chegar a algo que já não tem a ver com a situação onde tudo começou.
“Cada vez que resolvia um medo, aparecia outro por trás.”
Aquilo que está a viver faz sentido.
A psicologia energética corresponde a um conjunto de recursos terapêuticos que atuam diretamente na ligação entre a experiência emocional e a resposta do corpo, permitindo trabalhar, camada a camada, medos e bloqueios que a compreensão racional, por si só, nem sempre alcança.
Há uma razão para isto. Muitos medos vivem acompanhados. Um receio concreto, o de cair, o de uma situação específica, pode ser apenas a camada mais visível de outro medo mais antigo, ligado à perda de controlo, à mudança ou à própria vida. O corpo guarda estas camadas por ordem, e por vezes só é possível chegar às mais profundas depois de as mais visíveis terem sido reconhecidas e reguladas.
Beatriz caiu de bicicleta enquanto treinava para uma longa caminhada que há muito sonhava fazer. Bateu com a cabeça, magoou uma perna, e o medo que ficou era do que o acidente parecia anunciar. Ao começar a trabalhar esse medo, percebeu que por trás dele vinha outro, maior, o de ficar dependente, sem poder andar sozinha. Ultrapassada essa camada, surgiu o medo ligado à outra perna, antiga e frágil. Depois vieram medos para além do corpo físico, o de estar prestes a mudar de vida, de casa, de cidade, o de que o casamento que se aproximava não desse certo, e por fim, mais fundo do que todos os outros, o medo de encarar a vida tal como ela era.
“Cada vez que limpava um medo, aparecia outro por trás. Até que, um dia, já não havia mais nenhum à espera.”
Cada camada foi trabalhada por sua vez, sempre a partir do corpo, até que, sessão após sessão, Beatriz sentiu o medo perder o lugar que tinha ocupado durante meses. Fez a longa caminhada que tanto temera, com o mesmo trabalho a acompanhá-la a cada etapa, e chegou ao destino sem as dores que esperava, e sem o medo que, meses antes, a tinha impedido até de se imaginar a fazê-la.
“O que começou como um passeio tornou-se outra coisa. Senti que conseguia controlar a mente e o corpo, e que conseguia chegar onde me tinha proposto chegar.”
A partir dessa caminhada, o trabalho com o corpo tornou-se, para Beatriz, uma prática que passou a levar consigo, sempre que a ansiedade regressava. Nos anos seguintes, casou, mudou de vida e tornou-se mãe, vivendo cada etapa com uma confiança que antes não reconhecia como sua.
Aquilo que o corpo aprendeu a temer também pode aprender a confiar de novo.
Cada pessoa reconhece este padrão à sua maneira, mas há sinais que se repetem com frequência:
• Um medo que parece resolvido, e dá lugar a outro, inesperado.
• Uma resposta física intensa perante situações específicas, sem uma causa imediatamente clara.
• A sensação de que, por baixo de um receio, existe outro, mais antigo.
• Bloqueios emocionais que persistem apesar de já terem sido muito falados.
• Cansaço de sentir sempre a mesma resposta física perante situações diferentes.
Estes sinais falam de camadas que ainda esperam para ser reconhecidas. Quando encontram escuta, deixam de ser interpretados como um retrocesso ou uma falha do trabalho já feito, e tornam-se orientação, um convite a continuar a descer, com cuidado, até ao lugar onde o medo finalmente descansa.
Na PSIC, a psicologia energética é um recurso que pode entrar no acompanhamento em qualquer momento do percurso, seja no início, ao longo do processo ou mais perto do seu fecho, consoante o perfil e/ou a preferência de cada pessoa.
Os métodos mais utilizados são o TFT® e o EFT®, através dos quais a própria pessoa aprende a tocar, com as suas mãos, pontos específicos do corpo, uma espécie de autoterapia que passa a poder usar sempre que precisar. É orientada, ao longo de todo o processo, a identificar o que sente e o que, naquele momento, precisa de cuidado.
A Terapia de Biofeedback com DOS® acompanha este trabalho, dando visibilidade, em tempo real, às respostas do próprio organismo. O toque consciente estende-se também às zonas do corpo onde o desconforto se manifesta, favorecendo presença, segurança e uma relação mais integrada com aquilo que está a ser sentido. Este recurso funciona de forma independente ou associado a outros processos terapêuticos, sempre ao ritmo e à disponibilidade de cada pessoa.
Compreender e regular são dois movimentos diferentes, e a integração está em os reunir. Por isso, na PSIC, cada camada de medo ou bloqueio é lida em conjunto com a história, o sistema nervoso, as relações e o momento de vida de cada pessoa, uma leitura mais abrangente do que a de um sintoma isolado a corrigir. Muitas vezes, o que está por trás da última camada é uma forma de proteção que já cumpriu o seu papel, e reconhecê-la é também uma forma de recuperar a liberdade para viver a vida que se escolheu para si.
Quando este padrão persiste, atravessa diferentes áreas da vida e começa a limitar aquilo que gostaria de fazer ou viver, vale a pena atravessá-lo acompanhada.
Perguntas Frequentes
É um conjunto de recursos terapêuticos, como o TFT® e o EFT®, em que a própria pessoa toca em pontos específicos do corpo, orientada ao longo do processo, com o apoio da Biofeedback Terapia DOS® para acompanhar as respostas do organismo. Trabalham diretamente a ligação entre a experiência emocional e a resposta do corpo, sempre integrados dentro de um acompanhamento mais amplo.
Com frequência, sim. Muitos medos vivem em camadas, e o mais visível é, por vezes, apenas a porta de entrada para outro mais antigo. É por isso que resolver a camada de superfície nem sempre encerra o processo, e continuar a descer, com acompanhamento, costuma ser o caminho mais completo.
É a própria pessoa quem toca em si, em pontos específicos do corpo, enquanto permanece em contacto com aquilo que sente. Este toque consciente, orientado ao longo do processo, ajuda o sistema nervoso a regular a resposta perante a situação específica que continua a repetir-se, sempre ao ritmo e à história de cada pessoa.
Quando um padrão de medo ou de reação persiste, ou continua a revelar novas camadas, e começa a condicionar decisões, relações ou momentos importantes, um acompanhamento especializado ajuda a trabalhar diretamente essa resposta e a construir um caminho de reorganização.
Um Primeiro Lugar Para Si
Se reconhece esta experiência, talvez este seja o momento de encontrar Um Primeiro Lugar Para Si.
Um espaço onde o corpo encontra condições para aprender uma resposta nova, e onde aquilo que insiste em repetir-se passa a ser escutado.Cada percurso começa quando encontra um lugar onde pode ser escutada com respeito, compreendida na sua singularidade e acompanhada ao seu próprio ritmo.
É nesse encontro entre compreensão, regulação e presença que um novo caminho pode começar.